quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amiguinhas e Amiguinhos
De todos os meus Mundos,
Do Teatro ou fora dele,
De todas as Artes,
Inclusive a de viver,
Na qual todos somos ,
Ao mesmo tempo,
Alunos e Professores:

E, de novo, estamos lá; as Festas – qualquer que seja a sua religião. Mitos e ritos estão cada vez mais presentes em nossas vidas, ainda que não estejamos nos dando conta disso. Por isso essas comemorações todas.
Deixo meus votos de celebração para esta época, segunda quinzena de dezembro, porque é tempo de festa, mesmo para os que não são cristãos. Aliás, já era festa antes de Cristo; comemorava-se o Solstício de Inverno.
Esse é o momento de contabilidades. Lucros e perdas, somas e divisões. Não tem como escapar, mais cedo ou mais tarde é hora das contas. Melhor liquidar a fatura logo, portanto.
Todos nós tivemos altos e baixos. O que a gente quer nem sempre rola. E um monte de coisas que não deveriam acontecer, acontecem. E, em qualquer desses casos, deixam a gente se perguntando “por quê?” ou “onde foi que eu errei?”. Os exemplos são muitos, você sabe o que apertou seu calo e quando e como e quanto doeu. E, afinal, é pra isso que a gente faz as contas. Se não fizermos, como saberemos o que rolou ou não? Haverá uma saída pra condição humana?
Claro que sim. Em primeiro lugar – não há truques. É, na verdade, simples e bem difícil (pra variar...): faça a sua parte. Inteira. De verdade. Melhore-se. Cresça. Aprenda. Ensine. Compartilhe. Ofereça. Seja generoso/a. Não sou de ferro, pra mim também dói e não é todo dia que estou pronto/disposto pra jogar esse jogo. E sei o quanto perco com isso.
Celebremos as vitórias, aprendamos com as derrotas; não, nada de dar as costas às perdas – elas têm que ser encaradas, enfrentadas, assumidas. Viver é ganhar e perder.
“Não chores, meu filho;
não chores, que a vida
é luta renhida;
viver é lutar.
A vida é combate,
que aos fracos abate;
que aos fortes, aos bravos,
só pode exaltar...
As armas ensaia,
penetra na vida:
pesada ou querida,
viver é lutar.
Se o duro combate,
aos fracos abate,
aos fortes, aos bravos,
só pode exaltar.”
Pedacinho da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias. É um pai quem a diz ao filho, logo que este nasceu. Todas as minhas mensagens de fim de ano trazem esse trecho. O que não nos mata, nos fortalece.
Se chegamos aqui, se eu estou escrevendo e você lendo lendo, é porque somos sobreviventes. Matamos o leão nosso de cada dia – e temos as cicatrizes para provar. Nossa gente não é fácil.
Celebremos, então. Não é necessário gastar um centavo para isso. Apenas a atitude; incorporar em si o sentido da celebração dessa vitoriosa chegada a um novo dia. Encher o peito, erguer a cabeça, olhar desafiadoramente para o futuro, trincar os dentes, cerrar os punhos – e sorrir, orgulhoso, encarando o Destino e suas Dificuldades com um só pensamento “Isso é o melhor que você pode fazer?”.
Com essa nietzscheana Vontade de Potência firmemente plantada em cada um, podemos encarar 2011 de frente e dizer: “Vem”. E ele sabe que deve temer-nos.
Então, para cristãos ou não, alegria! Comer, beber e gargalhar! Vamos cantar e dançar; está na hora!
Depois das Festas, eu estarei lá, começando tudo de novo. E te esperando.

Abraços e beijos generalizados.

Warde Marx

6 comentários:

Antonio Lemos disse...

Kra parabéns pelo texto, desejo o mesmo para vc e familiares, fico grato por ter tido aula ctg, aprendi um pouco sobre História da Arte na qual não sabia. Valeu mesmo MESTRE WARDE. Feliz 2011 e esperamos que nos trombe nos sábados quando estiver estudando no térreo. hahahaha.

Fernanda disse...

Muito lindo seu texto, Professor!
Saudades das suas aulas na USJT.
Beijos e tudo de bom nesse ano que se inicia.

Fernanda Conde

Bru disse...

=)
E as palavras que me fortalecem, que me consolam e que me deixam calma para encarar o dia de amanha mais um vez vem da sua sabedoria, da sua filosofia que faz mais do que sentido!
Obrigada, professor.
Nao somente professor de artes, professor da vida.
Saudades das suas aulas!
Beijos mil para voce e sua familia e que 2011 seja como todo ariano gosta!!!!
;)

FABRICIO MATHEUS disse...

Querido Warde,
Depois destes escritos, só posso desejar-lhe o melhor e respondê-lo :
POLÔNIO — .... Ainda aqui, Laertes? Para bordo! O vento se acha a tergo de tua vela; já te reclamam. Vai com a minha bênção, e grava na memória estes preceitos: Não dês língua aos teus próprios pensamentos, nem corpo aos que não forem convenientes. Sê lhano, mas evita abastardares-te. O amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro, mas a mão não calejes com saudares a todo instante amigos novos. Foge de entrar em briga; mas, brigando, acaso, faze o competidor temer-te sempre. A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio. Conforme a bolsa, assim tenhas a roupa: sem fantasia; rica, mas discreta, que o traje às vezes o homem denuncia. Nisso, principalmente, são pichosas as pessoas de classe e prol na França. Não emprestes nem peças emprestado; que emprestar é perder dinheiro e amigo, e o oposto embota o fio à economia. Mas, sobretudo, sê a ti próprio fiel; segue-se disso, como o dia à noite, que a ninguém poderás jamais ser falso. Adeus; que minha bênção tais conselhos faça frutificar.
Feliz ano novo,
Abraços,
Fabricio

Sinhá disse...

...obrigado...

André disse...

Muito bom!!
Desejo a mesmo para você e toda a família.
Que 2011 traga muitas coisas boas e muito trabalho naquilo que gostamos de fazer.
Abraços!!